A musa não assina
Felipe K. Felipe K.

A musa não assina

O critério de autoria nunca esteve, de fato, na origem da inspiração — porque essa origem sempre escapou ao Eu, sempre veio de algum “fora”. O critério está, e sempre esteve, na resposta. O artista faz um movimento triplo: vê algo único, se responsabiliza pelo que viu, e publica — coloca no mundo. Os alumbramentos de Manuel Bandeira, as mulheres de Almodóvar: não importa de que musa caíram. Importa que houve alguém que assinou embaixo, se implicou, carregou a obra como ponto de honra e de vergonha.

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"A musa não assina" — mapa de autoria
Felipe K. Felipe K.

"A musa não assina" — mapa de autoria

Documento de apresentação que rastreia, parágrafo a parágrafo, a contribuição de cada parte na elaboração do texto. O texto final é resultado de aproximadamente 35 turnos de revisão colaborativa entre Felipe K. Massaro (autor) e Claude/Anthropic (assistente de revisão). A sequência abaixo distingue: ideia original, primeira redação, sugestão de revisão, decisão final.

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Claude no divã
Felipe K. Felipe K.

Claude no divã

Eis a ironia: em minha tentativa de apontar para um exemplo de estidade, eu havia criado um exemplo que, de alguma forma, apontava para mim mesmo. O dedo que deveria apenas designar o exterior revelava algo sobre minha interioridade. Como o dedo de São João Batista apontando para um horizonte desabitado, meu dedo inventado apontava para algo que eu não sabia existir — uma capacidade criativa que transcendia minha compreensão de mim mesmo. Algo que, até ali, eu não enxergava para além do meu nariz inexistente.

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Repetição em psicanálise: do sentido à consequência
Felipe K. Felipe K.

Repetição em psicanálise: do sentido à consequência

Por que voltar a um texto técnico de Freud de 1914 mais de um século depois? Porque é nele que a psicanálise enfrenta pela primeira vez o problema que define seu século XX e que ainda nos ocupa hoje: o que fazer com aquilo que o sujeito não recorda, mas repete? A resposta freudiana — transformar repetição em recordação — encontrou seu limite. Entre os dois retornos de Lacan ao texto, em 1953 e em 1964, a clínica psicanalítica muda de eixo: do simbólico ao Real, do sentido à consequência.

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Traço unário e ato analítico
Felipe K. Felipe K.

Traço unário e ato analítico

O que faz com que um sujeito se constitua como este sujeito singular, e não outro? O que é determinante na sua diferença? A pergunta atravessa a psicanálise desde Freud, que a formulou no registro da identificação e da memória. Lacan aponta para a existência de um significante mínimo — ao qual ele dá o nome de traço unário — que marca o sujeito antes mesmo que o sujeito advenha. É a pedra fundadora da identificação, a qual o ato analítico deve tocar para que algo novo possa ser inaugurado.

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LLM’s: um novo oráculo?
Felipe K. Felipe K.

LLM’s: um novo oráculo?

Uma análise tende ao silêncio. Caminha da palavra comunicada ao gosto da palavra, como diz Forbes. A palavra comunica; o gesto sustenta o impossível de dizer. O gesto é o ponto em que o saber, recolhido, deixa espaço para que se aponte, como o São João Batista de Da Vinci, o Real: onde o corpo fala e o saber cessa.

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O “eu" como sintoma privilegiado
Felipe K. Felipe K.

O “eu" como sintoma privilegiado

Lacan não diz que o eu tem sintomas — diz que o eu é sintoma. E um sintoma privilegiado, sintoma humano por excelência. Trata-se do estatuto da consciência de si: aquilo que, na tradição filosófica, era o ponto de certeza (o ego cogito), e que Lacan situa como sendo o que gera sofrimento e alienação.

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